20071030

Para quê sentir em excesso?

Numa conversa sobre futebol veio ao de cima o modo como as pessoas vivem um jogo destes, tocando o fanatismo, quer seja ao vivo ou assistido pela televisão.

Pessoas há que levam ao extremo a sua queda ou predilecção por um determinado clube.
Mas isto não acontece só no futebol.
A “camisola “ que se veste, às vezes, é muito pessoalisada, muito nossa. Só nossa!
E sentimos em nós próprios o que acontece ao nosso “clube”.

Quando sentimos demasiado, exageramos demasiado, sofremos demasiado.

Pensando bem, acho que devemos minimizar certas situações porque, afinal, os outros também sentem, também sofrem. E tantos, muito bem mais do que nós!

Isto fez-me pensar em como, na vida, tudo é tão relativo!

20071026

Pensamentos...



O barco dos meus pensamentos
Traz consigo o teu sorriso
Desperta mil sentimentos
Faz-me ver como preciso
De te ter de novo aqui

A ânsia de te rever
O desejo de te abraçar
Leva-me sempre a sofrer
E tanto, tanto a pensar
Meu querido, só em ti

Eu bem procuro ocupar
O meu tempo noutro lado
Mas é que o teu lugar
Está tão vazio e marcado
Bem junto ao meu coração

Que agora para me alegrar
Para combater noites frias
Já comecei a contar
Um a um todos os dias
Que faltam para te abraçar

Para poder, enfim,
Ter-te juntinho a mim
Ouvir sininhos tocar
E tambem poder cantar
Melodiosa canção

20071023

“Remar contra a maré”

“Nada te turbe, nada te espante.
Quem a Deus tem, nada lhe falta.
Nada te turbe, nada te espante.
Só Deus basta.”
(Santa Teresa de Ávila)

Ninguém está imune à onda de egoísmo que rola à nossa volta.
Depressa nos deixamos arrastar por ela, quando somos indiferentes ao sofrimento dos outros, quando não nos preocupamos com o bem comum, indo até à destruição do que é de todos…

É verdade que se conseguem, por vezes, alguns gestos de solidariedade, mas falta uma atitude constante.

Que fazer para inverter esta tendência?

- Ousar amar!

No entanto, o amor exige aceitação total do outro, doação sem limites…
Não é algo abstracto. Traduz-se em atitudes, palavras, gestos, tempo.
Tudo tão difícil no mundo de hoje.

Onde encontrar a força para esta ousadia, para contrariar a onda de materialismo que nos rodeia e que convida sobretudo ao comodismo e ao egoísmo?

- NAquele que é o Amor por Excelência. Uma fonte inesgotável: Deus.

Esta é uma descoberta maravilhosa. Deus ama-nos com um amor infinito, que podemos livremente aceitar e procurar retribuir.

Mas aí está um desafio ainda maior!
Não será ousado de mais?!

Quem ama a Deus, corre o risco de ser criticado por acolher e manifestar tal amor.
Porém, vale a pena desenvolver essa coragem e experimentar a beleza dele.

Em Jesus, nós podemos aprender a apoiar a nossa vida no amor de Deus.
NEle encontramos o alimento e a força para “remar contra a maré”.

20071022

Reflexo



Gostaria de ser um lago límpido onde te visses reflectido…
Oh, se eu soubesse ser esse lago que reflectisse os teus raios!
Se pudesse ter a intensidade necessária a te reflectir…
Mas sou apenas um frágil reflexo
Saído de um frágil espelho
Que ao menor sopro se parte.

Como eu gostaria de ser teu espelho, Senhor!
Ajuda-me, meu Deus, a reflectir o teu rosto…

20071019

Para J. P.

Sentiste a minha ausência. Adoeceste.
Quando me voltaste a ver, eu não estava só. Sentiste que o teu espaço tinha sido invadido.
Choraste. Alguém que não conhecias ocupara um lugar que pensavas só teu, que querias só teu!
Choraste. As tuas lágrimas cravaram-se em mim como punhais e senti uma dor que era a tua.
Chorei. As tuas lágrimas doíam-me na alma.
Ergui-te nos braços.
Quis dizer-te que não era assim…
Quis mostrar-te o que eras para mim…
Mas essa dor do tamanho do mundo abriu no meu peito um poço muito fundo e as minhas lágrimas confundiram-se com as tuas.
Aquele que vias pela primeira vez não te roubou o lugar no meu coração!
Ambos sois meus filhos.
Amo-te muito. Muito! Nunca duvides disso!

20071017

Sufoco…


(Rodrigues Coelho, Reverie)

Existem trilhos pelos quais é melhor não seguir, mesmo que tenhamos que nos partir em mil pedaços.
Deixar estilhaçar, deixar que as lágrimas rolem, às vezes é a solução…


Quando não se diz nada pode querer-se dizer muito!

20071014

Para adivinhar

Sou um corpo com muitas línguas
E com todas elas falo
Quando estou com quem me entenda
Por dar gosto não me calo
Tenho dez amigos certos
Com quem muito bem me dou
São eles que me procuram
Que eu procurá-los não vou

?

20071010

Sonhos...


(O. Baouth - Campo de Margaridas)

Sonhei um campo de margaridas
Salpicado de papoilas coloridas.
Suave lembrança encantada
P’la inquietação transformada
Nas rosas do meu jardim

São saudades desmedidas
Retalhos de outras vidas
Que queria junto de mim

Apartar-me delas não posso
Não me consigo abstrair
São sonhos, são sofrimentos
São gemidos e lamentos
Dos quais não quero fugir

E dormindo vou sonhando
Pequenas felicidades

Acordada vou pensando
Apenas trivialidades
E ainda futilidades
Para me manter a sorrir.

20071008

Sete coisas

A Malu passou-me um desafio em que tenho andado a remoer…
É que já lá vão muitos anos e não me lembro de muita coisa…
Mas sempre vou responder ao que me lembro. Então aqui vai!

Sete brinquedos que nunca tive:
1. Uma bicicleta.
2. Nem sequer um triciclo.
3. Duas agulhas de tricot como devem ser (as que tive eram dois raios de bicicleta).
4. Um baloiço como deve ser, construído por alguém para mim.
5. Não me lembro...
6. Não me apetece pensar...
7. Não sei...

Sete lembranças vergonhosas de infância
1. Cantar para muita gente, mas dizer que só o fazia se me dessem dinheiro (mas não tive culpa… mandaram-me fazê-lo!)
2. Apoiar a cadeira só nas pernas de trás e cair, claro!
3. Apanhar tareia das colegas por ter sido egoísta e invejosa de uma coleguinha mais pequena, por achar que ela não merecia que lhe fizessem uma rodinha de madeira, só porque ela não tinha dado colaboração.
4. Ter vergonha de ir fazer um recado à outra sala de aula, ser obrigada a isso, bater à porta e quando a professora mandou entrar eu simplesmente não entrei, fiquei à espera que a viessem abrir, apanhando um raspanete.
5. Deixar toda a gente aflita à minha procura por ter adormecido na casa da eira à hora da sesta, só acordando depois de muito me chamarem por não saberem de mim.
6. Aprender a dançar agarrada a uma vassoura ao toque do rádio.
7. Quando tomava conta da mercearia dos pais, dar os rebuçados todos aos colegas, que me subornaram, e depois apanhar uma sova do pai.

Sete lembranças dolorosas de infância
1. Ter partido um alguidarinho de barro vidrado, tão lindo, que tinha ganho com tanto esforço a cantar umas cantigas num casamento, ao colocá-lo na cabeça da boneca a fazer de chapéu!
2. Nunca conseguir tirar a bola dos pés do primo, que era um rapaz já espigadote, que sabia fazer muitas habilidades com a bola e que me arreliava com isso.
3. Ter de mendigar muito ao irmão, que antes de mim tomava conta da mercearia, quando queria umas pastilhas elásticas.
4. Nunca sentir mimo da parte da mãe.
5. A perda dos avós, principalmente da avó paterna.
6. Apanhar umas bofetadas da professora por não responder errado a uma pergunta de matemática que eu tinha respondido certo. A professora é que estava errada, eu tinha absoluta certeza de que tinha respondido certo e teimei na minha resposta, então apanhei!
7. Terem-me mergulhado no mar à força, fazendo-me engolir uns pirolitos!

A mais dolorosa:
Ser exposta pelo pai a humilhação pública, ao prender-me com uma corda a uma oliveira, num domingo à tarde, à beira da estrada, por causa de ter feito um grande disparate - tirei dinheiro da gaveta da mercearia e comprei todos os selos, meus e dos meus colegas, que tinhamos trazido da escola para vender, de ajuda aos tuberculosos (SLAT).

Ah, ah!!! Mas agora vou-me vingar! Quero que respondam a este mesmo desafio o Quintarantino, o Tiago e a Marta! E não aceito desculpas, isso é que era bom! A mim também me custou muito!!!
:D

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