20091229

O Saldo

Os balanços não se dão bem comigo.
Tempos houve em que os quis e nem por isso os tive. Lembro-me apenas de, com cinco ou seis anos, me abalançar nas pernas de trás de uma cadeira e cair de costas; e também, já pré-adolescente, ter um balancé numa árvore do quintal onde me balançava sem grande jeito.
Anos mais tarde, os balanços foram de noites quase inteiras com os bebés ao colo para ver se os calava.
Depois vieram outros balanços... e balancetes... e enjoos com eles.

Agora, estando mais um ano quase quase no fim, pensei em fazer outro tipo de balanço, mas sem grande entusiasmo. Abalanço-me para 2010 desejando que seja um pouco melhor que este que vai terminar, que foi marcado por grandes cansaços, tristezas, dores, desgostos - grandes desgostos, mas também alegrias - enormes alegrias; e sucessos, e também fracassos, desfechos que se vinham anunciando, perdas, ganhos, avanços, retrocessos...
Dizem que bem e mal tudo é passar! Eu digo que as contrariedades e as desilusões fazem parte da vida e que sem elas não daríamos o devido valor ao que nos torna felizes. E são tantas as pequenas coisas do dia-a-dia que concorrem para a nossa felicidade!
No fim do balanço, quase fechadas as contas, aventuro-me a encerrar o ano com saldo positivo.

"Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo." - já dizia o poeta.

Para todos um Feliz Ano Novo, com muita Saúde, Paz, Tranquilidade, Amor e muitas outras coisas boas que venham por acréscimo.

20091227

Sagrada Família


Que este seja o modelo de família para todos!

20091225

Eis O Milagre!



Santo! Santo! Santo! Santo!
Todo o céu veio cantar,
Eis aqui O milagre !
na cidade de Belém,
com uma Estrela a brilhar,
e Deus sorrindo entre nós,
Eis aqui O milagre !
Levai as novas sobre a terra,
Vinde para adorar,
Toda a criação cante...
Eis aqui O milagre !
Para ti nasceu o Rei.

E vós pastores no campo,
Ouçam os anjos cantar,
"Novas de alegria trazemos,
Nasceu o vosso Rei,
Sigam a estrela brilhante,
nesta noite de natal,
Encontrareis o Salvador,
Debaixo da sua luz".

(Behold a Miracle - letra em português)



Linda Edge - Behold a Miracle.wma

20091219

Que Brilhe [em nós] Uma Nova Luz!

Existe um grande céu
Tão perto de você
Eu sei que encontrei
Essa nova forma de viver
Me tocou com seu amor
E mudou meu coração
Me iluminou com sua luz
E deu a paz com seu perdão

Então que brilhe a Nova Estrela
E renove todos nós
Vem mostrar o Teu poder
Que nos cura e faz crescer
Pois que brilhe a Nova Estrela
Eu sei que é Jesus
Que nos chama de irmãos e nos conduz


Os dias que eram vazios
Se encheram de alegria
Hoje aprendi viver melhor
Com Jesus não me sinto só
Se você não me entendeu
O importante é ser feliz
Abra o coração e se entregue a Deus
E saberá o que ele diz

(Anjos de Resgate - Uma Nova Luz)

Vídeo no Youtube: O Nascimento de Jesus


Que brilhe sobre nós a Nova Estrela e nos fortaleça com os seus dons - os dons do Deus Menino.

Um Santo e Feliz Natal para todos vós!

20091212

Uma Voz Clama no Deserto

"Uma voz grita do deserto: Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as Suas veredas". (Mt 3, 3)

Imagino-me a ver e ouvir João Baptista, vestido com uma simples pele, a alimentar-se de gafanhotos, a clamar no deserto e a incitar ao arrependimento, com palavras duras, mas de olhos numa esperança, a anunciar uma oportunidade de mudança radical.

E sinto-me interpelada, incomodada…

Preparar os caminhos significa preparar um mundo novo.

Vejo o mundo de hoje cada vez mais podre… mais corrompido, onde os homens querem ser grandes, não olhando a meios para conseguirem os seus objectivos. Os grandes querem ser cada vez maiores, não se importando com a dignidade dos mais pequenos a quem calcam debaixo dos pés!

No entanto, há vozes que se levantam, clamando pelos mais fracos a quem é roubada a dignidade!

O problema está em que estas vozes, até podem ser ouvidas, mas não são escutadas, às vezes porque são sufocadas por quem não tem interesse em que se ouçam, outras porque andamos muito distraídos com a nossa vidinha.

"Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da devassidão, da embriaguez e das preocupações da vida, (…) Portanto, ficai atentos e orai a todo momento.” (Lc 21, 34-36)

“Arrependei-vos, dizia, porque está próximo o reino dos céus”. (Mt 3, 2)

20091208

Rainha de Portugal



8 de Dezembro - Solenidade da Imaculada Conceição.

Em Portugal é feriado para celebrar a Padroeira de Portugal, o que parece um contra-senso numa sociedade que se quer afirmar, cada vez mais, laica.

No entanto, Nossa Senhora da Conceição foi proclamada Padroeira de Portugal, no ano de 1646, quando D. João IV, depois da restauração de Portugal, depôs aos pés da imagem da Mãe Imaculada de Jesus, a sua coroa real. A Rainha do Céu é, a partir desse momento, a Rainha de Portugal.

Desde aí, nenhum dos nossos reis voltou a ostentar coroa, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa Rainha, Mãe de Deus - a verdadeira Soberana de Portugal.

Ó Maria, Imaculada Conceição, Mãe de Deus e nossa Mãe, Rainha de Portugal, rogai por nós que recorremos a Vós.

20091204

Que se faça Natal!

Aqui: EscreVIvendo

20091125

Gata Borralheira

O amor tem destas coisas: por vezes acaba. Até o dia que nasce com um sol esplendoroso pode ficar carregado de nuvens negras. Porque teremos nós a capacidade de mudar?
Um amor para a vida inteira é, cada vez mais, uma utopia. Sonha-se com o príncipe encantado, ou com a Cinderela, e depois, o príncipe, afinal, é um sapo, ou à Cinderela, descobre-se que não lhe serve o sapato.

Um Príncipe e uma Cinderela – uma história banal: Filomena, menina-mulher, casara com o príncipe dos seus sonhos, depois de meia dúzia de meses de romance, em que por uma meia dúzia de vezes se olharam e outra meia se tocaram. Nesse dia, sentira-se a princesa que ele tinha resgatado de Gata Borralheira, daquela sub-vida em que os maus tratos físicos e psicológicos eram o seu pão de cada dia. Começara, enfim, a viver. Emergira e sentira-se flutuar numa doce magia, numa felicidade dourada e reluzente, num sonho tão cor-de-rosa, que até estremecia com medo de acordar e vir a descobrir que aquele sonho era um pesadelo.
Decorreram semanas de mel e luar em que ele, amante apaixonado, sofregamente, a ensinou a ser mulher, a descobrir sensações nunca antes imaginadas. E aprendeu o que era amar, o que era desejo, o que era o êxtase e a plenitude da felicidade.
Exalando um mar transbordante de águas quentes – escaldantes até – cega de amor e de vida, passavam-lhe ao lado alguns pormenores. O seu marido, cada vez mais, vivia na noite, com o álcool como companhia principal; mas ela desculpava, porque ele a amava sempre com intensidade, impetuosamente. Se existiam algumas diferenças, essas eram em si. Descobriu porquê: estava grávida. Ele confiou-lhe lágrimas de alegria, e nela elevou-se o instinto maternal – ele queria um filho. Sublime contentamento, suprema negridão. Não, não era uma filha que ele queria…

O modo como se desenrola uma história, apesar de contornos peculiares, não é muito diferente de outras histórias. Filomena carregava uma filha no ventre e, ao mesmo tempo, foi carregando agressões, violações, fome; toda a espécie de violência física, verbal e psicológica, por parte de um homem cobarde e irracional que, sob a capa do álcool, parecia lograr um só propósito. E a filha nasceu… e morreu em seguida.
O que sempre temera acabara de acontecer.

Inspirado em: Mulheres maltratadas

25 de Novembro: Dia Internacional para a Erradicação da Violência sobre as Mulheres

O número de crimes de Violência doméstica registados no 1.º semestre de 2009 subiu 9% face ao mesmo período de 2008. (APAV)

20091120

Um sorriso



O sol encontra sempre um rasgo por onde brilhar.

20091106

Manda Teu Espírito

Ao meu redor
Procuro entender
O que virá
Se bem longe eu vou estar

Diante de Ti
Eu entreguei os meus caminhos
Pra Te sentir
E nunca mais chorar sozinho

Mas cansado estou
e fraco a esperar
que Tua doce voz
venha o meu sono despertar

Manda Teu espírito e vem me abraçar
Pra eu não chorar
Preciso de Ti aqui
Pra me consolar


Só Você faz o mar se acalmar
E traz paz iluminando o meu olhar
Sabes ouvir as dores do silêncio
E persistir em esquecer os meus lamentos

Sei que em Você
Encontro meu alento
Estendo as minhas mãos
Entrego os meus sentimentos

Manda Teu espírito e vem me abraçar
Pra eu não chorar
Preciso de Ti aqui
Pra me consolar


 (As Dores Do Silêncio, Rosa de Saron
Composição: Eduardo Faro)


20091029

Ruído

É manhã. Por detrás das copas das árvores, o calor do sol quer espreitar. Os raios incidem sobre os fios finíssimos que uma fiandeira teceu de noite. Uma brisa levezinha faz dançar as folhas a um ritmo descompassado. Na esplanada do café, uma mesa com duas cervejas: pequeno almoço que as donas levam aos lábios no intervalo do cigarro e da conversa. No passeio, o sobe e desce de gente apressada. O barulho dos motores dos carros, que também sobem e descem, é misturado ao bater do martelo das obras do jardim e ao tilintar das garrafas vazias a baterem umas nas outras ao serem apanhadas do chão - ainda restos da latada. E, na frente dos meus olhos, apontamentos sobre a Carta de Ottawa nos quais tento, em vão, mergulhar.
Das duas uma: ou abstraio-me do que se passa à minha volta e me concentro no que preciso de estudar, aproveitando assim este tempo morto de espera, ou saio do carro e vou fazer uma caminhada, dar uma volta pelo jardim, respirar outro ar, beber de outras fontes. Desentorpecer as pernas, arejar a mente. Sim, parece-me bem. Esta segunda ideia é-me muito mais atraente.

20091025

Pai...



96 Outonos. Hoje, aqui. Era quantos farias se não tivesses ido embora.

Quantas vezes me disseste que partias, quando eu sabia que não era essa a hora. Mas volta e meia fazias birras, repetias. E tantas vezes o disseste que eu a sorrir te desmentia. Dizia-te que não. Que não podia ser, que estavas bem; mas bem não estavas, bem se via.
E as tuas forças começaram a diminuir a cada dia. E o que antes eram birras deixaram de o ser. Até que chegou o teu limite, e eu, desatenta, sem o perceber.
Não chegaste a ver este Outono. Era Verão quando partiste; quando deixaste de dar ais. Foste embora ainda há pouco tempo e hoje a dor me aperta mais.
Perdoa-me.
Perdoa-me, pai.
Perdoa-me porque não percebi os sinais...

20091023

O Maior

«A forma de entender a fé é diferente de pessoa para pessoa, de um liberal para um ateu, de um teocrático para um cristão. Tem a ver com o relevo que é dado por cada um às suas vertentes familiar, afectiva, político-social, cultural, económica, religiosa e moral.

Para um liberal, cada uma destas vertentes é autónoma e independente, sem que nenhuma delas influencie qualquer outra. Como tal, a religião não influi nas opções de qualquer outra vertente. A fé é do domínio privado e pessoal.

Para um teocrático, todas as vertentes são influenciadas pela religião. Esta envolve e prevalece sobre todas as outras. Cada vertente não tem sentido em si mesma, nem nenhuma tem poder sobre qualquer outra. Todas são dominadas pela vertente religiosa, dependem exclusivamente dela, podendo mesmo ser humilhadas e desprezadas por ela quando levada ao extremo, tendo como resultado o fundamentalismo.

Num cristão, cada vertente tem a sua autonomia e identidade próprias, mas inter-relacionando-se como partes de um todo – de um só corpo. No centro deste corpo encontramos o Amor. Amor de/a Cristo que dinamiza e dá força a todas as vertentes da vida humana, procurando o equilíbrio entre todas. Conforme a sua vida e circunstâncias pessoais, assim cada pessoa encarnará a fé, sempre com Cristo como referência para a sua vida, que lhe dá sentido, a partir do seu interior e não por qualquer imposição externa. Cristo é o centro, a “pedra angular”, o amor que está no centro de tudo.

Um ateu exclui radicalmente a vertente religiosa, aceitando todas as outras. Se alguma das vertentes predominar será para fazer sobressair o ateísmo. O fenómeno religioso é encarado como alienação, estruturas de poder ou superstições, que não humanizam e que, por isso, têm de se eliminar.»

Fui buscar estas linhas a um texto que escrevi há algum tempo, apesar de toda a polémica que gerou, porque quando se aborda o tema religião é sempre passível de polémica, precisamente pelo acima exposto - cada pessoa tem o seu modo de encarar a fé.

O motivo de as trazer aqui, agora, está nas palavras de um ATEU que têm dado que falar.

Andei a ponderar se abordaria ou não essa matéria, com algum receio de que, ao fazê-lo, poderia dar importância demais a palavras loucas de quem não sabe do que fala.

Este é um assunto que já me chateia, pois acho que anda meio mundo incomodado com este atrevimento quando, na minha opinião, aquilo que transpira é apenas um monte de preconceitos de um ateu que se arroga em dono da verdade.

Sendo certo que todos temos direito à nossa opinião, ou à nossa crença ou não-crença, e a usar de liberdade de expressão na manifestação do que nos vai na alma, também é verdade que nos devemos saber colocar no nosso lugar e respeitar os lugares dos outros. E devemos tão mais saber fazê-lo quanto maior for o estatuto que a sociedade nos confere. Donde que este ateu deveria, assim, saber ter tento na língua.

Mas quando Caim mata é sempre por insegurança. É sempre por medo da sombra da sua vítima sobre si. Então há que aniquilá-la.
Ele não se contenta em ser grande.
Ele quer ser o maior!

Quão falível é a natureza humana!

E quanto é enorme Deus!
Infinitamente maior do que todo o pecado.


Adenda:
Ler também um texto sobre este assunto em: Crónicas de uma Peregrinação

20091018

Orientação missionária



Dai de graça o que recebestes de graça.

20091016

Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza

17 de Outubro é o Dia Mundial Para a Erradicação da Pobreza.


Clica no link acima e
Sonha que... é possível acabar com a Pobreza.

20091010

O que me tira o sono



- Filho, quando é que ganhas para uns sapatos?
- O quê? Com duas horas por dia nas AECs?!


- Filha, como estás crescida!
- Também já não me vias há quinze dias!

20091003

O Inferno que escolhemos

"Deus desapareceu da política.
Por isso, a política tornou-se um Inferno."

Li isto e muito mais em
Crónicas de uma peregrinação
sob o título:
O Inferno Somos Nós.

Nunca tinha lido um retrato tão perfeito do inferno que escolhemos!

Por isso:

"Se ouvires a voz do vento
Chamando sem cessar
Se ouvires a voz do tempo
Mandando esperar.

A decisão é tua
A decisão é tua
São muitos os convidados
Quase ninguém tem tempo

Se ouvires a voz de Deus
Chamando sem cessar
Se ouvires a voz do mundo
Querendo te enganar

A decisão é tua
A decisão é tua
São muitos os convidados
Quase ninguém tem tempo

O trigo já se perdeu
Cresceu, ninguém colheu
E o mundo passando fome
Passando fome de Deus

A decisão é tua"

(Padre Zezinho - A Decisão é Tua)


20090929

Silêncio

"Um homem dirigiu-se a um convento de clausura, isto é, um convento onde se vive longe do ruído da cidade e num silêncio desejado. Perguntou a um desses monges:
- Que aprendeis vós com a vossa vida de silêncio?
O monge estava a tirar água do poço. Disse ao seu visitante:
- Olha para o fundo do poço. Que vês lá dentro?
O homem olhou para dentro e disse:
- Não vejo nada.
O monge ficou algum tempo sem se mover e no final disse ao visitante:
- Contempla agora. Que vês no fundo do poço?
O homem obedeceu e respondeu:
- Agora vejo-me a mim próprio: espelho-me na água.
O monge concluiu:
- Vês? Quando eu mergulho o balde, a água fica agitada. Agora, pelo contrário, está tranquila. É esta a experiência do silêncio: o homem vê-se a si próprio."
(Frei Róger Brunorio - OFM)


20090925

Em cinco sentidos

... ou sem nenhum sentido [de orientação]!

Fui [des]orientada, melhor dizendo, sensibilizada :S
pelo Pinguim Alegre a sentir-me numas questões de sentidos.
Eis as respostas (sem grande norte):

Qual o Sentido que melhor me descreve?
- Sou toda 'ouvidos'!

Visão - A minha imagem favorita:
- A Natureza.

Tacto - O que mais gosto de sentir na pele:
- O toque de outra pele.

Paladar - O meu sabor preferido:
- Delicio-me com a água fresca (mas sem ser demasiado fresca).

Olfacto - O cheiro que me inebria:
- O aroma das flores selvagens nos pinhais em dias quentes.

Audição - O som que gosto mais de ouvir:
- Música suave.

E depois de [com]sentido[s] apurados[s] acho que mereço um prémio!!!
Obrigada ao Pinguim.


São servidos? Então mãos à obra!
Atribuo o prémio a quem ousar [des]orientar-se neste[s] sentido[s].

20090920

O voo da andorinha


Se eu de ti me não lembrar, 'Jerusalém',
fique presa a minha língua.

Sobre os rios de Babilónia nos sentámos a chorar,
com saudades de Sião.
Nos salgueiros das suas margens,
dependurámos as nossas harpas.

[Do Salmo 136 (137)]

20090914

Onde a saudade me dói

Ouvi o mar chamar por mim, insistentemente.
Fiz silêncio e pus-me à escuta: era isso mesmo, o mar sussurrava-me ao ouvido aquela melodia de que eu começava a sentir falta.

Procurei-o ao cair da tarde. Na areia branca, húmida, deixei o rasto dos pés, junto com o das gaivotas seduzidas pela traineira do peixe.
O azul imergiu-me; a distância naufragou-me.
Deixei os pés afundarem-se na areia, submergidos pela rebentação das vagas, escorridos na espuma, embebidos nessa água, mas perdidos noutro sal, porque é outro longe que eu sinto.

As gaivotas, atraídas pelo odor do peixe, voam em redor do barco em busca de alimento.
Eu procuro outro barco. Atraída pelo fragor do mar, deixo mergulhar os pés e flutuo os sentidos nesse embalo, numa ânsia de me transportar para outro lado no meio do oceano... para lá; para lá: onde a saudade me dói.







20090910

Dias inesquecíveis









Sossego
Descanso
Acalmia
Repouso o olhar
Ao longe
De um lado o mar
E o respirar o céu
Por cima do olhar
Do outro
O cume da terra
Que um dia deu clarão
Subindo ao azul infinito
Água
Terra
Fogo
Ar
Os elementos se conjugam
Em harmonia para me saciar
Vida
Alegria
Amor
Amizade
Carinho
Paz
Dias inesquecíveis
Onde tudo me sorri

A tranquilidade mora aqui

20090907

Maior que o mar e o céu



Aqui, o mar não enrola na areia; aqui, o mar umas vezes bate nas rochas e noutras dá-lhe beijos com suavidade. Aqui, o mar está constantemente a seduzir-me, a declarar-me o seu amor, e eu a deixar-me seduzir, sempre tentada a sucumbir aos seus encantos.

Depois de ler (devorar!) ‘Onze Minutos’, praticamente, num dia; depois de uma noite de ‘Xutos e Pontapés’ num concerto ao vivo pela noite dentro, até cair de cansaço; acordo às oito da manhã e… rebolo de um lado para o outro. Ao meu lado, ele dorme… e está para dormir. Então, levanto-me para não o acordar. Preparo-me e saio para a minha volta matinal, diária. O mar está à minha espera. Salto de rocha em rocha e, de chinelos, mergulho os pés e deixo que o mar mos beije como de costume.
A água está espectacular. Simplesmente espectacular! Disputo-a com os peixes que saltam para outra poça onde o mar os vem buscar.
Não há ninguém por muito perto. Apetece-me tirar a roupa e abandonar-me toda às ondas que me vêm saudar. Mas não, prefiro contemplá-lo. Saboreá-lo até à linha do horizonte. Este contacto físico e visual transmite-me uma paz imensa. Saborear o momento, este momento, esta imensidão de mar e céu, sem nada mais querer, sem nada mais desejar, faz-me levantar as mãos bem alto e lembrar o Salmo: “Como sois grande em toda a terra, Senhor nosso Deus!”, infinitamente maior do que o mar e o céu.

20090904

Mar salgado



A ilha é negra. A casa é junto ao mar, rodeada de rochas. Virada para o imenso atlântico. Apenas uma pequena estrada e um paredão de rochas separam a casa da água. Tão perto que já o mar a banhou de Inverno.

Estendida na espreguiçadeira não dou pelo tempo que passa. Descanso, enquanto, lá atrás, no forno a lenha, está a assar o jantar de cerca de vinte pessoas: um belo de um bicho que encheu a mala térmica, vindo do outro lado do oceano. Vai para duas horas que o forno está ocupado com ele e, agora, já só é preciso deixá-lo lá ficar, sossegadinho, a acabar de tostar, até estar pronto para o manjar da noite nesta fresca esplanada, à luz dos candeeiros, que hão-de alumiar também a farra pela noite dentro.
Por isso, agora fico esticada, também eu, a corar um pouquinho ao sol – mas só um pouquinho mesmo, que não quero ficar tostada como o bicho que está no forno.
Fecho um pouco os olhos e quando dou por mim vejo-me sozinha… todos me abandonaram. Uns foram mergulhar, outros às compras, outros passear e deixaram-me sozinha na casa.
Levanto-me, vou espreitar o forno e volto a preguiçar. É então que sinto o apelo do mar. As ondas batem nas rochas: chamam por mim. Levanto a cabeça por cima do muro do jardim e, para lá das rochas, repouso o olhar ao longe onde se beijam o mar e o céu. É hora de sentir o afago das ondas, de me inebriar do seu sal. Ponho-me a caminho na sua direcção: atravesso a estrada em linha recta, qual sonâmbula, e pulo de rocha em rocha em ziguezague. Desço. Estou lá. E mergulho os pés nos seus beijos, com vontade de imergir toda nos seus lábios que fazem questão de me beijar. Mas tenho medo que ele me sufoque num abraço apertado de encontro às rochas. Ele, às vezes, é um namorado maroto e cruel que não se importa de magoar. O mesmo mar que, para lá destas rochas negras de lava do vulcão, desde sempre tem inspirado tantos poetas.

“Oh mar salgado,
Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!”

A ilha é negra. Mas o imenso oceano é o mesmo.

20090901

Cenas de um casamento

Entrámos na igreja de braço dado.
Uma entrada, de sorrisos rasgados, ao som do Hino da Alegria. Com um brilhozinho no olhar, emocionada, mas sem me deixar dominar totalmente pela emoção, dei um beijinho ao noivo, o meu filhote mais velho – que será sempre o meu menino, um dos meus meninos muito queridos – e fui ocupar o meu lugar no grupo coral, mesmo ao lado.

Tinha parado de chover há algum tempo.
A chuva assustara-me um pouco mas, felizmente, acabou por dar tréguas e pudemos, enfim, entrar no automóvel e percorrer os cerca de três quilómetros que nos separavam da igreja. A água do céu apenas veio trazer uma bênção.

O nosso motorista, tio da noiva, também se juntou ao coro com o seu bandolim. Ao órgão, o padrinho do noivo, para as músicas mais sóbrias: Hino da Alegria; Marcha Nupcial; Salmo Responsorial; e… Avé Maria de Schubert, em Acção de Graças; nos outros cânticos, a viola foi o seu instrumento de eleição, e o órgão foi do Pedro mas que o cedeu ao Rui quando foi tocar a flauta no Pai-Nosso. Um grupo coral constituído por elementos das duas famílias (do noivo e da noiva) que se esmeraram nos ensaios e na cerimónia.

Chega a noiva: e entra ao som da Marcha Nupcial, radiante, belíssima. O pai entrega-a ao futuro genro, com um cumprimento, e os dois jovens sorriem um para o outro. Beijam-se com o olhar.
Nossa Senhora da Boa Nova recebe os seus filhos no seu regaço.

“Queres saber de que cor são os sonhos de Deus? (…) Volta a olhar o amor pela primeira vez.” - O cântico de entrada introduz na dinâmica da Celebração - "Pois o Verbo de Deus habitou entre nós."
A primeira leitura é do Livro dos Provérbios: “Quem poderá encontrar uma mulher virtuosa? O seu valor é maior do que as pérolas.” …
E consegui cantar o Salmo Responsorial sem lágrimas: “O Senhor nos abençoe em toda a nossa vida” (…) “Teus filhos [são] como rebentos de oliveira/Ao redor da tua mesa” – pensei que ia chorar, mas aguentei-me.
Segunda Leitura da Primeira Carta de S. Paulo ao Coríntios: “Ainda que eu fale a língua dos anjos e dos homens, se não tiver amor, sou como o bronze que ressoa ou como o címbalo que retine (…) O amor não acabará jamais.”
Aleluia: Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o Seu amor em nós é perfeito.
O Evangelho é do episódio das Bodas de Caná da Galileia, em que Jesus deu início aos seus sinais do Reino.

Depois da Homilia é chegada a altura especial: o Matrimónio.

Cristo vai abençoar este amor conjugal:
Os noivos recebem-se um ao outro como esposos - dão-se a si próprios o Sacramento do Matrimónio.
O celebrante apenas intervém para pedir ao Senhor que confirme o consentimento que manifestaram e os enriqueça com a Sua bênção:
Não separe o homem o que Deus uniu.

“Nada te turbe, nada te espante
Quem a Deus tem, nada lhe falta
Nada te turbe, nada te espante
Só Deus basta.”

E prossegue a Celebração nos moldes habituais:

Oração Universal - em que se pediu pelos novos esposos, por todos os seus familiares e amigos, bem como pelos que já partiram, pelos casais ali presentes e por toda a Igreja para que continue a ser fonte de fé e de esperança para o mundo.

Ofertório – cantámos “ Como Borboletas”: “Como a paz não se constrói sem liberdade/ a verdade não se vive sem amor/ Povos todos agarrai-vos ao que é vida/ Porque o mundo foi tomado p´lo Senhor”.

Comunhão:
Jesus,
Meu Jesus, és o pão
Tu és meu alimento
Jesus,
Quero ser o teu lar
Amado da minh’alma
Jesus


Acção de Graças - Avé Maria - Franz Schubert

[Aqui 'doeu' já a finalizar o cântico, quando me emocionei… estava a ver que não me aguentava nas ‘canelas’… mas só deu uma tremedeira no fim de cantar e um choro levezinho…]

Cântico Final:
Renasce em mim,
mostra como ama alguém,
que precisa de mim
p'ra mostrar o melhor que Deus tem!

Reviver o que vivi
Renascer contigo
Conquistar o teu espaço astral
Pois quem ama não teme o bem e o mal
(n.º 12 da playlist música escutista, ao lado)

E porque já vai longo o relato, vou apenas referir que depois de assinados os registos deste acto seguiu-se a sessão fotográfica e um óptimo repasto muito alegre e divertido até às tantas...


Algumas Fotos:












20090826

Uma aventura… entre ilhas

Por favor, a vossa atenção! O autocarro não vai sair ainda, têm que descer e voltar para o terminal… há um atraso de uma hora… o avião está em manutenção.
“Oh, não!”
Sair. Voltar atrás. Esperar mais uma hora!

- Estou!... Já estão no avião?
- Ainda não!... o voo está atrasado uma hora…
- Ai, não!
- Pois, hoje já não vamos para o Pico, não vamos chegar a tempo de apanhar o último barco… com esta hora de atraso.
- Mas o que é que aconteceu?
- Só sei que o avião tem uma hora de atraso… está em manutenção. Uma avaria técnica. Um pneu furado. Os travões avariados. Um motor gripou… pifou, ou ardeu… queimou! Sei lá!... estou a começar a entrar em erupção!
- Calma! Vão ter tempo…
- Ainda se tivéssemos a chave da casa do Faial… assim vamos dormir debaixo da ponte… Ui! Não há lá ponte!... Dormimos no telheiro da varanda… (isto é, se dormirmos… se lá chegarmos!... e se avaria não for reparada como deve ser?… alguma vez tenho que morrer…) - os pensamentos atropelam-se a milhentos à hora. - E agora?
- Hei! Calma! – Responde a voz querida do outro lado – Vão chegar a tempo, o avião depois recupera!
- Ai quem me dera!

Dali a meia hora:
- Já vamos agora para o avião!
- Pronto, então vão ver que chegam a tempo… quando estiverem mesmo para sair, antes de desligarem os telemóveis mandem uma mensagem.
- Ok, até já!

Depois de cerca de meia hora dentro do avião. Após a contagem e recontagem dos passageiros… e mais outra recontagem ainda, é chamado um passageiro à cabine do comandante. Mais um compasso de espera.
Dali a mais algum tempo:
“Atenção, senhores passageiros, fala-vos o comandante. Por motivo de não aparecer um passageiro que faltou ao embarque, haverá mais alguns minutos de atraso, uma vez que se vai proceder ao descarregamento da bagagem.”
“Pronto, agora é que é!... é impossível apanhar o barco…”
- Mais um atraso! Um passageiro não aparece e têm de lhe ir procurar a bagagem para descarregar… olha, agora adeus: assim é que o barco vai embora sem a gente o apanhar
- Não se preocupem! Se não o apanharem, eu vou no barco das nove com a chave da casa e ficamos lá para amanhã. Liguem quando chegarem.

À chegada:
- Já desembarcámos!... agora vamos às bagagens… mas a esta hora o barco já deve ter ido…
- Vão na mesma para lá… que vai lá estar um barco à vossa espera… já tratei de tudo… só consegui um semi-rígido, mas o mar não está assim muito mau…
- Há aqui mais duas moças que também vão para o Pico…
- Está bem! Também podem ir. Sete pessoas… e bagagens… dá bem, dá bem!

Pegámos um táxi e chegámos, ‘os sete’, ao cais. E… ena!... o mar! mas já é quase noite, não é altura para ‘mergulhar’… (não sei, não!) mas acho que ‘os sete’… vão ter cá ‘uma aventura!... no Faial’… melhor dizendo: entre o Faial e o Pico… num barco de doze.
Três rapazes, que tinham chegado antes de nós, esperavam a sorte de um barco que rumasse ao lado de lá. O patrão do barco disse que podiam seguir connosco, que ainda havia lugares. Agora somos dez, mais a tripulação: um casal de jovens skippers. Um barco de doze, cheio. Uau! Só espero que não seja como jogar à ‘batalha naval’: ‘um barco de doze ao fundo!’
A nossa skipper deu-nos casacos impermeáveis e coletes insuflados que tivemos que vestir e… mar, aqui vamos nós!!!
Quinze minutos de travessia entre as duas ilhas. Mar um pouco picado. O barco aos altos e baixos e as ondas a molhar-nos. “Esta estrada está cheia de buracos!...” – gritava eu. Risos. “Parece as estradas da Madeira!” – volveu a rapariga madeirense que ia ao meu lado. “ O Alberto João é que havia de vir aqui também.” Gargalhadas. “A minha cara já está a arder!” – dizia a mesma moça que tinha ficado do lado pior e me guardava, com o seu corpo, das chicotadas da água. Uau! Mais salpicos!...
Hoow! Outra onda!... “Estou toda molhada!” Mais gargalhadas!... e mais e mais! E ainda mais de cada vez que sentíamos os beijos do mar no rosto e no corpo.



Bem!... Chegámos sãos e salvos. Não mergulhámos no mar, mas ele não deixou de nos vir saudar. Foi uma aventura e tanto - quem ler, pode acreditar. Bendito atraso do avião. Só por esta aventura, valeu o atraso! É como eu sempre digo: ‘nada acontece por acaso’. Eu estava mesmo a precisar desta adrenalina toda até à ponta dos cabelos. Há muito que não me sentia tão jovem, tão criança! Já sentia imenso a necessidade de me soltar. Eu e as minhas gargalhadas!


(Curiosidade: lembrei-me de que no livro d’Os Sete – “Uma Aventura nos Açores” – há um desenho premiado da minha muito querida.)


20090822

Abençoa, Senhor, o JP e a Cris

abençoa-os sempre!
...

Que nenhuma família comece em qualquer de repente
Que nenhuma família termine por falta de amor
Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente
E que nada no mundo separe um casal sonhador
Que nenhuma família se abrigue debaixo da ponte
Que ninguém interfira no lar e na vida dos dois
Que ninguém os obrigue a viver sem nenhum horizonte
Que eles vivam do ontem, no hoje e em função de um depois

Que a família comece e termine sabendo aonde vai
E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai
Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor
E que os filhos conheçam a força que brota do amor

Abençoa, Senhor, as famílias, Amén!
Abençoa, Senhor, a minha também!

Que marido e mulher tenham força de amar sem medida
Que ninguém vá dormir sem pedir ou sem dar seu perdão
Que as crianças aprendam no colo o sentido da vida
Que a família celebre a partilha do abraço e do pão
Que marido e mulher não se traiam nem traiam seus filhos
Que o ciúme não mate a certeza do amor entre os dois
Que no seu firmamento a estrela que tem maior brilho
Seja firme esperança de um céu aqui mesmo e depois

Que a família comece e termine sabendo aonde vai
E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai
Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor
E que os filhos conheçam a força que brota do amor

Abençoa, Senhor, as famílias, Amén!
Abençoa, Senhor, a minha também!!




__________

...
...
... com uma lágrima ao cantinho do olho...

só espero que esta não chame as outras todas ;)

20090815

Tranquilidade

é o que busco: tranquilidade.



e sim, vou procurá-la... lá... onde mora o mar... e o céu.

20090813

Quando se desata o nó da garganta


"E do nada,
Se desata o nó da garganta
Quebra-se o vazio...

E, o grito atirado estilhaça o vidro
e sai pela janela como pássaro espantado...

(...)

escuto... olhos rasos
o eco"


(Fá Duarte, Grito - pintura e poema)

[Porque expressa magnificamente o meu estado de alma]

Mas
"Deus é para nós refúgio e fortaleza,
socorro na angústia, sempre pronto;
por isso nada tememos ainda que a terra se abale
e as montanhas no mar se precipitem;
mesmo que as suas águas rujam furiosas
e as montanhas tremam na tempestade"
(do Salmo 46)

20090810

A vida não é só dor...


a árvore que dá madeira



também dá flor.


(Adenda às 16:00h):

Mas quando Deus vem colher as flores...
mesmo que elas já tenham as pétalas murchas...
depois dos bons frutos que já deram...
mesmo assim...
há sempre a dor da separação...

A vida também é dor.

20090803

Vaidade...

Vaidade, tudo é vaidade...

Durmo... e acordo, e a certeza é a mesma: tudo é vaidade!
Não é sonho, nem pesadelo, é uma realidade que se impõe.

Foi um domingo bem passado, na companhia de amigos, ao ar livre, com odor a mar, a verde, a sombra fresca. A boa música ambiente deu ainda um ar mais apetecido, uma vontade maior de permanecer... de usufruir do descanso merecido.

Sobre a felicidade neste mundo,
"Compreendi bem, que o bom para o homem está em comer, beber, gozar o bem-estar em todo o trabalho que suporta debaixo do sol durante todos os dias da vida que Deus lhe dá. Esta é a sua sorte. Se Deus dá ao homem bens e riquezas, e a possibilidade de comer delas, disfrutar a sua parte e viver alegre no seu trabalho, isto é um dom de Deus. Não pensará nos dias da sua vida, porque Deus guarda o seu coração ocupado na alegria." (Ecle. 5, 17 - 19)

"Melhor é o que vêem os olhos do que a agitação dos desejos. Mas também isto é ainda vaidade e vento que passa." (Ecle. 6, 9)

Vaidade... vaidade... vaidade das vaidades. Tudo é vaidade!

"Mais vale ir à casa em luto do que à casa em banquete.
Porque aí se vê o fim de todo o homem e os vivos nele reflectem."
(Ecle. 7, 2)

20090729

20090717

Esvaziamento


(Henry Fuseli, "Silence")

"Só Deus nos basta: querer mais é querer o supérfluo."

Só Deus pode preencher o vazio

(Adenda - 22 de Julho, Quarta-Feira, Santa Maria Madalena, 22:32)
«No domingo, Maria Madalena foi ao túmulo, logo de manhã, fazendo ainda escuro e viu que a pedra que o tapava já tinha sido retirada. Maria estava junto ao túmulo da parte de fora, a chorar. Entretanto, inclinou-se para dentro do túmulo e viu dois anjos vestidos de branco. Estavam sentados no sítio onde tinha sido colocado o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Eles perguntaram-lhe: "Mulher, por que estás a chorar?" E ela disse-lhes: "Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram." Logo a seguir, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não sabia que era ele. Perguntou-lhe Jesus: "Mulher, por que estás a chorar? Quem é que procuras?" Ela pensava que era o homem encarregado da propriedade e disse-lhe: "Se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste que eu vou lá buscá-lo." Jesus chamou-a: "Maria!" Ela então exclamou: "Rabuni!" (palavra que quer dizer "meu Mestre"). E Jesus disse-lhe: "Deixa-me, porque ainda não voltei para o meu Pai. Vai ter com os meus irmãos e dá-lhes este recado: eu volto para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus." Maria Madalena foi dar a notícia aos discípulos e dizia: "Eu vi o Senhor!"»

(João 20, 1.11-18)

Isto me dá algum conforto: Cristo ressuscitou para que todos ressuscitem com Ele para a Vida que não mais terá fim.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo,
Assim como era no princípio, agora e sempre. Amen.



(Adenda - 25 de Julho)

Descansa na Paz de Deus, pai!

(Adenda - 27 de Julho)

20090712

Vem Espírito

Eu quero amar,
Eu quero ser,
Aquilo que Deus quer
Sozinho(a) eu não posso mais
Sozinho(a) eu não posso mais viver.

Eu quero viver,
Eu quero fazer,
Aquilo que Deus quer
Sozinho(a) eu não posso mais
Sozinho(a) eu não posso mais viver.

Vem Espírito (vem Espírito)
Oh, vem Espírito.
Sozinho(a) eu não posso mais
Sozinho(a) eu não posso mais viver.

(Padre Marcelo Rossi)



20090705

Verdes


(Praia Fluvial do Mosteiro)

Na hora de almoço tudo é verde na praia fluvial.
Há verde reflectido na água. E verdes ficam os corpos depois do mergulho.
Começa a chover: uma chuva miudinha molha tolos.
Tolos, sim, nós todos que saímos de casa com o tempo cinzento e já a pingar. "Está marcado, está marcado!" "Está tudo preparado, agora não se volta atrás." Pronto, cedi. Desta vez atestei o depósito antes de sair, não fosse acontecer, como da outra vez, não haver aonde no meio da terra do nunca.

O verde parece estar suspenso nas gotinhas finas que apontam em direcção ao solo, também ele verde. Dali a pouco já o sol espreita por entre a folhagem verde das árvores verdes que nos sombreiam. O cheiro da relva molhada inunda os pulmões, e o som da queda de água, verde, mistura-se aos acordes da viola e às vozes verdes em coro: "O Joel tinha uma bola que rolava pelo chão"; "Olha a bola, Joel, olha a bola, Joel, foi-se embora, fugiu" pela água fora, nunca mais ninguém a viu. E soam verdes as gargalhadas.
Verde é a praia fluvial à hora de almoço. E verdes ficam os pés a correr descalços pela relva... a saltar, a pular.
Na praia fluvial há hora de almoço verde. Aliás, na praia fluvial todo o dia é verde!

20090701

Às voltas com:

Mediação

Multiculturalidade

Cidadania

Diversidade
Integração

Aprendizagem


Cooperação



Igualdade





Temo que a rosca esteja a ficar moída...

20090621

E pelo meio, o mar... outra vez

"Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas, como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
tudo muda o tempo todo no mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar"

(Como uma onda no mar - Lulu Santos / Nelson Motta)

____________________

Também o mar, na liturgia de hoje, em posts de duas amigas:

Quem é este homem?, por Sandra Dantas;

Cantai ao Senhor, porque é eterno o Seu amor, por Ailime.

20090619

ANTROPOLOGIA(...)



SOCOOORRO!!!

20090618

Normal

Sou uma pessoa normalíssima; com todos os defeitos de uma pessoa normalíssima, e ainda mais alguns; com algumas virtudes, mas com muitas limitações; com muitas fraquezas e alguma força nos momentos cruciais, que se desvanece de seguida quando o peso do cansaço toma conta das pálpebras. Acresce, também, o ser mimada, o sempre o ter sido. O ter os pais muito idosos, a dar uma trabalheira. E, ainda, o ter um marido, três filhos e uma futura nora lindos!
Uma pessoa normalíssima...

Daqui a pouco temos que escolher os cânticos para o casamento, sem falta! Não pode passar de hoje! Se não o tempo começa a apertar cada vez mais... os exames estão aí... daqui a pouquíiiiissimos dias já não estamos todos juntos, outra vez... e a minha normalidade vai ao ar... outra vez! Depois estou para ver quem é que me atura... outra vez!

20090615

Recomeçar sempre!

Recomeçar sempre!
Não desistas nunca,
Nem quando o cansaço se fizer sentir,
Nem quando os teus pés tropeçarem,
Nem quando os teus olhos arderem,
Nem quando os teus esforços forem ignorados,
Nem quando a desilusão te abater,
Nem quando o erro te desencorajar,
Nem quando a traição te ferir,
Nem quando o sucesso te abandonar,
Nem quando a ingratidão te desconsertar,
Nem quando a incompreensão te rodear,
Nem quando a fadiga te prostrar,
Nem quando tudo tenha o aspecto do nada,
Nem quando o peso do pecado te esmagar...
Invoca Deus, cerra os punhos, sorri...
E recomeça!

(São Leão Magno)

Obrigada, Malu!

"Um amigo fiel é um poderoso apoio; quem o encontrou, descobriu um tesouro."
(Ecli. 6,14)

20090611

Quando...

Quando ainda é de noite e não consegues mais dormir
Quando acordas com uma dor de cabeça daquelas...
Quando ainda o sol não rompeu e já alguém grita por ti
Quando te sentes sobrecarregada com tudo e mais alguma coisa
Quando a vida e os afazeres te subjugam
Quando sentes receio de que as coisas não corram bem
Quando querias que tudo fosse perfeito
Quando nem sabes o que queres
Quando entras em conflito contigo
Quando a ansiedade te bate à porta

Quando te sentes assim:

Quando não sabes para onde te virar...

Mas sabes que não está tudo nas tuas mãos

Vira-te para Cristo!
Só dEle te vem a força!
Só Ele é o alimento que te sacia
te refresca
te anima!

O Pão da verdadeira vida!


"Tomai e comei todos
Este é o Meu Corpo"

Comei e saciai a vossa fome!

Tu és o meu alimento, Jesus...
Vem a mim, Senhor
Vem me dar a luz...
E a calma que procuro.

20090530

Vê por onde andas!

"Faz muitos, muitos anos, usavam-se no Japão lanternas de papel e bambú, com uma vela no seu interior.
Uma noite, um certo senhor ofereceu uma dessas lanternas a um cego que o tinha ido visitar, para que ele pudesse voltar para casa.
O cego disse-lhe:
- A mim não serve para nada uma lanterna! A luz e a escuridão para mim são a mesma coisa.
- Já sei que tu não precisas de uma lanterna para veres o caminho - respondeu-lhe o outro -. Mas, se não a levares, pode vir alguém para cima de ti. Portanto deves levá-la, para advertires quem vem em sentido contrário.
O cego partiu com a lanterna, mas ainda não se tinha afastado muito da casa do amigo quando alguém lhe deu um encontrão que o atirou para o meio do chão.
- Olha por onde andas! - Exclamou o cego enraivecido -. Por acaso não viste a minha lanterna?
O desconhecido respondeu-lhe:
- Levas a lanterna apagada, irmão!"

(Bruno Ferrero, Histórias para acordar el camino)

Quantas vezes não somos nós esse cego?

Sim, somos esse cego quando não mostramos a Luz do Espírito Santo ao mundo, quando não nos guiamos por essa Luz, quando trazemos a lanterna apagada e deixamos que os outros colidam connosco, atirando-nos ao chão.


Espírito de Deus,
Manda-nos do céu um raio de Vossa Luz.
Vem, ó Pai dos pobres,
Doador das graças,
Luz dos corações.
Vem consolador,
Hóspede da alma,
Doce alívio, vem.
No labor descanso,
Na aflição remanso,
No calor aragem,
Vem, ó Luz Santíssima,
Encher de claridade o coração fiel.
Sem a Vossa luz nada o homem pode,
Nenhum bem há nele.
Lava o que é impuro,
Rega o que está seco,
O que é doente, cura.
Dobra o que enrijece,
O que está frio aquece,
Reconduz o errante.
Aos fiéis concede,
Toda Igreja pede,
Os teus sete dons.
Concede o prémio do bem,
A boa morte do justo,
A eterna alegria.
Amén! Aleluia!

(Sequência do Pentecostes)

20090524

A primeira vez

Não soube dizer a idade que tinha. Não fui capaz de o raciocinar com coerência… estava por demais absorvida com a expectativa e, de certo modo, com o receio do que se iria passar, que a mente se recusava a pensar outra coisa.
Mas tinha então 22 anos… e um mundo de sonhos pela frente. Poderia dizer que era, ainda, uma menina que vivia um conto de fadas, que nada sabia do mundo real.
Para mim, era uma experiência nova e desconhecida, talvez dolorosa… esse era um grande medo, mas a minha ansiedade maior era pelo desejo de te poder ter nos meus braços.
Sabia que faltavam ainda algumas horas… foi-me dito que tinha que saber esperar… com calma! 
Calma?! Eu bem que tentava, mas o nervosismo aumentava à medida que percebia a altura a aproximar-se cada vez mais. 
Já me sentia a ficar dormente quando fui conduzida para a sala em que… 
Nasceste! 
Ouvi o teu choro… pude, enfim, já não só sentir-te mas olhar-te, ver o meu menino amado… 

Há sempre uma primeira vez para tudo… até para se ser Mãe!

Parabéns meu menino querido!

(Daqui a dois dias já te tenho nos braços outra vez... lá lá lá)


Canto como há pouco na Eucaristia:

Senhor, graças pelo trigo a crescer;
Graças pela vida a nascer;
Graças pelo que a minha alma sente e Vos quer dizer!

20090517

O Sinal do Cristão

O Amor deve ser o sinal que distingue o cristão no mundo.

Pois Jesus diz-nos:
"O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei." (Jo 15, 12)

As comunidades dos primeiros cristãos eram exemplares neste mandamento do amor, de modo que despertavam a admiração dos não-cristãos que exclamavam: "Vede como eles se amam!"

E como é que eles se amavam?

Amavam-se, pondo tudo em comum, a ponto de não haver necessitados entre eles. (cf: Act. 2, 44-45 ; 4, 32. 34-35)

Será que hoje é também assim?
Já não digo pôr tudo em comum (que até já nem os casamentos são com comunhão geral)... mas ao menos partilhar as nossas riquezas, não só as materiais, mas também estas, com quem tem menos ou nada tem...

O cristão deve ser sinal do amor na sociedade.

Como amamos nós, cristãos, hoje, quando a riqueza anda tão mal distribuída - uns tão ricos e outros sem nada?

Que exemplos damos?
Demonstramos amor nos nossos actos diários, amamos como cristãos que somos, ou antes nos escondemos, com medo de ser apontados, envergonhando-nos de ser cristãos, porque isso hoje vai contra a filosofia desta sociedade laica?

No entanto, é este tipo de sociedade que nos querem impingir, que faz cada vez mais necessitados e excluídos. E nós, cristãos, estamos a deixar-nos contaminar por ela, em vez de nos deixarmos contaminar, cada vez mais, por Cristo!

Onde estamos nós, cristãos, nesta sociedade?
Onde é que marcamos o sinal da nossa diferença?

Tenhamos a ousadia de ser, no mundo, sinal do Amor de Cristo!

“É no amor que tereis uns pelos outros, que todos reconhecerão que sois meus discípulos” (Jo. 13, 35)

20090514

O que cabe numa mala de senhora

Numa mala de senhora cabe um bocado do seu mundo. Nela há de tudo... como na farmácia: compressas, comprimidos, toalhetes, pensos, pacotes de lenços de papel, estojo de maquilhagem, estojo de unhas, verniz, desodorizante, cremes de mãos e de rosto, protector solar, óculos, ganchos para o cabelo, elásticos; agulhas, linhas, botões, alfinetes; agendas, papeis, bilhetes com recados, caderno, livros, livro de cheques, cadernetas, cartões, carteira de documentos, porta moedas; garrafa de água, pacotes de bolachas, pacotes de açucar, chocolates, rebuçados, pastilhas; estojo com lápis e canetas, pen; clipes, mais lixo à solta; telemóvel, outro telemóvel desligado com cartão gémeo; máquina de calcular, afinador da viola, máquina fotográfica; fotos dos filhos e do marido; o terço; chaves... onde é que está a chave do carro??!!! ggrrr....


20090508

Quando o sol não brilha

E... de repente, o cansaço... de novo.

Tenho que falar sobre Reinserção Social [de reclusos].

O céu está cinzento e branco
As nuvens toldam-me a luz
Que chega, até mim, opaca...

Ouço Robbie Wllliams, Angels.


Trabalho uma dada afirmação...

Essa afirmação indica que, segundo a nova concepção de ressocialização do actual modelo político-criminal, o trabalho prisional continua, tal como antes, a ter um papel de tratamento, mas agora pretende ir muito mais para além disso: o trabalho prisional tem por objectivo a reinserção social dos reclusos, levando-os a ser intervenientes activos na sua própria recuperação. Ou seja, pretende-se levá-los a quererem, eles próprios, recuperar-se e modificar o seu comportamento, de modo a que se reinsiram na sociedade sem cometerem os mesmos actos que os levaram à prisão. Portanto, pretende-se que esse tratamento dos reclusos seja mais “de dentro para fora” do que “de fora para dentro”. É preciso que sejam eles a querer, se assim não for... nada feito - voltam ao mesmo. É pretendido que eles próprios sintam a necessidade de se valorizarem, com vista a uma participação plena na sociedade, quando saírem em liberdade. Mais do que a punição (não deixando esta de ser importante), é importante a prevenção da reincidência, daí o pretender-se que a pena sirva para estimular o recluso a participar voluntária e conscientemente na sua reinserção, com a elaboração de um plano individual, em que o trabalho e a formação sejam tidos como ferramentas importantes para desenvolver as suas capacidades, com vista a terem uma actividade remunerada quando em liberdade; mas pretende-se também que a sociedade colabore na realização desses fins, aceitando a reinserção dos reclusos, sem os estigmatizar.

Concordo, mas não será, em muitos casos, utopia?

Hoje o céu não está azul.

Continuo a ouvir a mesma música... agora em
versão instrumental.



Tenho que escrever sobre Reinserção Social
[de toxicodependentes].


Pesquiso, alinhavo o trabalho, faço o esqueleto... falta o recheio.

E o sol que não brilha...

Estou cansada!

Vou almoçar e dormir.

20090503

O Bom Pastor e a Mãe

(Maria Mãe do Bom Pastor)

__________



Fábula da ovelha e do lameiro

«Era uma vez uma ovelhinha que, junto com a sua mãe, passava em frente de um chiqueiro todos os dias a caminho do pasto. Os porcos divertiam-se tanto rebolando na lama que num dia de muito calor a ovelhinha pediu à mãe que a deixasse pular a cerca e chafurdar na lama fresca.
A mãe respondeu que não. A ovelhinha fez a clássica pergunta: “Por que não?” A resposta foi simples: “Porque ovelhas não chafurdam.”

A ovelhinha não se contentou. Achou que a mãe havia feito pouco caso dela e abusado da sua autoridade quando não devia. Assim que a mãe se afastou, a ovelhinha correu para o chiqueiro e pulou a cerca. Sentiu a lama fria nos pés, pernas e barriga. Pouco depois achou que já era hora de voltar para junto da mãe, mas não conseguiu! Estava presa!
Lama e lã não combinam. O prazer havia-se transformado em prisão. A ovelhinha estava desesperadamente presa em consequência da sua tolice. Ela pediu socorro e foi resgatada por um lavrador caridoso.
Depois de ter sido limpa e estar de volta ao aprisco, a mãe relembrou: “Não te esqueças de que ovelhas não chafurdam!” »

(Autor Desconhecido)

O mesmo acontece com o pecado. Sempre tão apetecível, e que parece tão fácil de ser abandonado quando quisermos. Mas não é assim! Os prazeres aprisionam-nos.
Por isso, os cristãos devem ter cuidado para não se deixarem seduzir pelos lameiros da vida.


Ouçamos a Mãe.

Sigamos o Bom Pastor!

20090428

[des]apontamento

a cidade agita-se. corre num frenesim à demanda com o sol. eu agito-me na manhã, numa espera longa, em que o tempo corre sem sair do mesmo sítio. a cidade aumenta a velocidade. e eu, parada, sem me mover, apenas movendo o peito cada vez mais aceleradamente, a notar a cidade a correr. há esperas, de minutos, que se transformam em horas, e que parecem transformar-se em dias. estou farta desta manhã. tenho fome. chega-me o sono. quero sair daqui.
nem a pessoa que espero se despacha. nem eu arranjo estacionamento.

20090426

A vida em Tuas mãos




"Graças Pai, minha vida é a tua
Tuas mãos amassam meu barro,
Minha alma é teu sopro divino,
Teu sorriso em meus olhos está."

(Desconheço o autor do cântico)


20090424

Pó num sopro de vento



Pó.

Apenas pó...

A isto se resume existir:

Pó num sopro de vento.

20090416

No Dia Mundial da Voz...

... e não só. Também nos outros dias:
Exercita a tua voz... CANTA!

E porque ainda é Páscoa, canta assim:

Se a tua voz... trouxer mil vozes p'ra cantar...
vais descobrir... mil harmonias belas que ao céu hão-de chegar
Fica mais rica a alma de quem dá...
Chega mais Alto o hino de quem vive a partilhar!

Tu tens que dar um pouco mais do que tens
Tens que deixar um pouco mais do que há

Se vais ficar muito orgulhoso vê bem,
Tens de te lembrar:
És um grãozinho de uma praia maior
E deves dar tudo o que tens de melhor
P'ra avaliar a tua alma há leis
Tu tens que dar um pouco mais do que tens


Olhou p'ro Céu... Sentiu que a Sorte estava ali...
E com valor... Foi conseguindo tornar bom o que até era mau
E grão a grão construiu o seu poder...
E pouco a pouco subiu a escadaria do Amor!

O tempo vai... E de um rapaz um homem vem...
Sem medo, vê, O teu destino vai em frente p'ra servir o bem
É tão profunda a mensagem que chegou...
São tão seguras e largas as pontes que Ele deixou!


Dar Mais




20090412

Ao Terceiro Dia

"Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo?
Não está aqui, mas ressuscitou!"
(Lc 24,5b-6)




A Luz de Cristo ilumina a Terra inteira Aleluia, Aleluia!

Jesus vive! E o seu Espírito Santo está sempre connosco, não nos abandonará jamais!

Deixemos que o Seu Espírito habite em nós, que a Sua Luz nos inunde, para que a possamos reflectir e iluminar tudo à nossa volta, a fim de que não haja mais trevas.

É preciso seguir a Luz que nos aponta o caminho certo e seguro a percorrer. É necessário seguir Aquele que disse "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida"; Aquele que é a verdadeira Luz que nos ilumina no meio da escuridão; o único que nos leva a Deus - princípio e fim de tudo.

_____

Desejo, a todos, que a Luz de Jesus Ressuscitado inunde os vossos corações e as vossas casas.

20090410

Das trevas à Luz

A partir do meio-dia houve trevas em toda a região,
até às três horas da tarde.


"Tudo está consumado."

Jesus, dando um brado forte, expirou.


De súbito, o véu do Templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se.

Entretanto, o centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus, ao verem o tremor da Terra e o que estava a suceder, ficaram aterrados e disseram:
«Este era verdadeiramente o Filho de Deus.»

(Cf: Mt. 27, 45-54; Mc. 15, 33-39; Lc. 23, 44- 47; Jo. 19, 28-30)


Que a Páscoa de Jesus Cristo faça chegar aos nossos corações os seus frutos e dons: paz, alegria, amor, reconciliação e, sobretudo, o Espírito Santo. Que seja uma Páscoa de Luz, para todos!

20090406

Altura propícia à Reflexão e Renascimento

Entrámos na Semana Santa, o ponto mais alto do calendário litúrgico cristão, na qual se celebra a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Jesus, O Cristo, veio trazer-nos a esperança da Salvação. Ele veio ser o Caminho para o Perdão dos Pecados.

"Assim está escrito que o Messias havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia, que havia de ser pregado, em Seu nome, o arrependimento e a remissão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém." (Lc. 24, 46 - 47)

O Pecado é uma ameaça mais séria contra o nosso bem-estar do que qualquer perigo físico, económico ou social, que enfrentemos.

Mas "Ele suportou os nossos pecados no Seu corpo, sobre o madeiro, a fim de que, mortos para o pecado, vivêssemos para a justiça: «Pelas Suas chagas fomos curados»." (1 Ped. 2, 24)

Ele próprio diz:
"Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (Jo. 14, 6)
"Digo-vos eu: Haverá mais alegria no Céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." (Lc. 15, 7)

Jesus, em Lc. 15, 1 - 32, contou três parábolas para falar sobre a alegria de Deus por um pecador que se arrepende. As parábolas são: A ovelha perdida, A dracma perdida e O filho pródigo.

Há vários sermões sobre estas passagens.
Um deles é o Sermão de S. Agostinho Sobre o Filho Pródigo.

Na Quarta-feira de Cinzas iniciou-se a Quaresma: o Tempo de Renascer para a Vida Nova que Jesus nos veio trazer. Agora é a Semana Santa: ainda tempo de mudar de vida. Altura propícia à reflexão e renascimento, rumo à santidade.
Por isso sempre tempo de Perdão,
e do
Sacramento do Perdão.

Porque somos chamados por Deus à santidade de vida, no mundo em que vivemos e não fora dele, vale a pena ler este texto que trouxe do meu amigo Pinguim Alegre:

“ -Precisamos de Santos sem véu ou batina.
- Precisamos de Santos de calças jeans e ténis.
- Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.
- Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade.
- Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade.
- Precisamos de Santos modernos, santos do século XXI, com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.
- Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.
- Precisamos de Santos que se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
- Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola e comam cachorros, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem diskman.
- Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refrigerante, beber uma cervejinha ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.
- Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de desporto.
- Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.
- Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos."
(João Paulo II)
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Votos de uma Santa Semana e uma Santa Páscoa para todos!

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