20100330

Em Semana Santa

Terça-feira Santa - 42.º Dia de Caminhada

Tempo da Paixão de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se fez carne da nossa carne, e se entregou à morte para nos dar a Vida.

É tempo de Oração, de Espera...

É tempo de silenciar, de meditar...

O fruto do Silêncio é a Oração;
o fruto da Oração é a Fé;
o fruto da Fé é o Amor;
o fruto do Amor é o Serviço;
o fruto do Serviço é a Paz.
(Madre Teresa de Calcutá)

Continua ainda a nossa caminhada: amanhã vamos reflectir com a Dulce no Degrau de Silêncio... silenciando, orando, crescendo na Fé, crescendo sempre mais no Amor e no Serviço... na Paz... em Vida!


Uma Páscoa de Vida Nova para todos!


20100325

O "Fiat"

"Nossa Senhora de Março traz a merenda no regaço."

Lembro-me desta frase desde miúda. Uma frase que nos traz um duplo significado de merenda: a merenda física - lanche da tarde, na tradição popular; e a merenda espiritual - Jesus, o nosso verdadeiro alimento.

25 de Março é o dia da Anunciação do Anjo S. Gabriel a Maria de Nazaré. Data escolhida pela Igreja para realçar o simbolismo da Festa da Anunciação: exactamente nove meses antes do Natal, período normal de uma gestação.

"Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Avé, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?» O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; *faça-se em mim segundo a tua palavra»." (Lc.1,26-38)



Segundo os teólogos, foi no momento desse sublime *fiat que se deu o mistério da Encarnação do Filho de Deus. É aqui que começa um novo período da história: Deus está connosco! Maria, Virgem de Nazaré, ao dar o seu Fiat, acolheu o Verbo de Deus no seu regaço.

Que Nossa Senhora, Mãe de Deus, nos ensine a também acolher sempre a Palavra de Deus, a dar o nosso Fiat!

20100323

Mais do que a Idade é a Vida

Na contagem do tempo, na viragem do vento, nova primavera. A vida se [re]desenha com renovado entusiasmo.

Nascer. Viver. Tempo. Idade.

Porque há uma eterna vida por detrás da palavra. Nascer.
Compreendo que nascer não é um acontecimento menor; embora uma etapa; uma rampa de lançamento numa pista coberta.
Nascer. Não me lembro de ter nascido. Mas guardo nas lembranças o sítio onde nasci. O sítio onde nasci poder-me-á ter condicionado a existência. Porém, mais do que nascer para existir é nascer para viver.

Viver. Viver requer aprendizagem, requer [auto]domínio, noção da realidade… porque viver ‘não é existir sem mais nada’.
A vida é uma estrada. Uma estória a construir. Com dias em que o sol a pinta de ouro e noutros a farrusca a tempestade.

O tempo começa a escassear. A idade não perdoa.
A idade faz-me compreender que a vida é o que fazemos com ela.
E envelhecer será sempre melhor do que morrer jovem.
Porque mais do que a idade é a vida!

20100321

No Trilho do Amor

Quaresma - Tempo de Renascer -
- a caminhar é que se faz o caminho - 33.º Dia

É tempo de:

Deserto... fazer silêncio



Escutar e meditar a Palavra

"Jesus disse:
Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente: tal é o maior e primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. A estes dois mandamentos está ligada toda a Lei, bem como os Profetas." (Mt. 22, 37-40)

"Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros. É por isto que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." (Jo 13, 34-35)

"Eu peço-vos mais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam." (Mt 5, 43-44)

"Quem aceita os meus mandamentos e lhes obedece, esse é que Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai. Eu também o amarei e manifestar-Me-ei a ele." (Jo. 14, 21)


Procurar-se na solidão

* Para mim o que é o amor? Um sentimento bonito que acontece quando tem de acontecer? Uma paixão? Uma atracção romântica; desejo libidinoso? Ou uma decisão?
* Quem amo? Quem me é mais fácil amar? Aqueles com quem me identifico, que pensam como eu; quem é simpático, bonito; os familiares, os amigos? Amo o meu próximo? E quem é o meu próximo? E como trato os inimigos?
* Como amo? Esperando reciprocidade? Amo apenas quem me ama? Ou amo sem nada esperar em troca? Amo com todo o coração o marido ou a esposa; os filhos, os irmãos, os pais, os sogros, a nora, o genro? Guardo o meu amor na pureza e na castidade?
* O que é amar? Será o mesmo que gostar? E o que é, e como é, amar a Deus?


É tempo de procura de água

Podemos dizer que toda a Lei, todos os mandamentos se resumem a um só: Amar! Um só mandamento que abrange todos: Deus, o próximo, e nós mesmos.
Este mandamento fundamenta todos os outros. É um programa de vida.
"Amamos, porque Ele nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê." (1Jo.4,19-20)
Se não amo o meu irmão, eu não amo a Deus. O amor não é uma coisa que apenas acontece. É uma decisão. É a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro. O amor é um mandamento, mas não é uma mera exigência, porque antes nos é dado.

Amar como a si mesmo é condição essencial do amor ao próximo. Não fazer aos outros o que não gostaria que lhe fizessem e fazer aos outros o que gostaria que fosse feito a si em circunstâncias semelhantes. O próximo deve ter, aos olhos de cada um de nós, tanto valor como nós próprios. Quem se conhece e estima a si mesmo, deve abrir-se aos outros e estimá-los como seus próximos. Deve tornar-se o próximo de todos os que necessitam de si. Fazer ao próximo aquilo de que ele tem necessidade.

Amar o próximo é condição do amor a Deus.
"Porque tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber; era peregrino, e recolhestes-Me; estava nu e vestistes-Me; adoeci e visitastes-Me; estive na prisão e fostes ver-Me.
(...) Senhor, quando foi que te vimos com fome e Te demos de comer? Ou com sede e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino e Te hospedamos? Ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos doente ou na prisão e fomos visitar-Te?
(...) Em verdade vos digo: sempre que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes". (Mt. 25, 35-40)


Encontrar oásis no deserto

Deus é a fonte de todo o amor:
“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não chegou a conhecer Deus, porque Deus é amor.” (1 Jo 4, 7-8)

"Porque Deus nos amou primeiro, podemos então amar gratuita e oblativamente, pois sempre estará disponível para nós a fonte divina jorrando incansavelmente o Seu infinito amor." (Bento XVI, Encíclica «Deus caritas est»)

Continuemos a nossa caminhada quaresmal, amanhã com a reflexão da Dulce no Degrau de Silêncio, bebendo sempre desse amor infinito do Pai, colocando-o no nosso coração e transportando-o para a nossa vida, a fim de crescermos no amor a Deus e no amor uns aos outros.

20100312

Perdoa, Senhor, os Nossos Pecados

Quaresma - Tempo de Renascer - mais um dia de Caminhada - 24.º

É tempo de:

Deserto... fazer silêncio



Escutar e meditar a Palavra

"Há mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento."
(Lc. 15, 7)
"Não são os que têm saúde que necessitam de médico mas sim os doentes; Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento."
(Lc. 5, 31-32)


Procurar-se na solidão

Onde me incluo? sou um(a) pecador(a) que se arrepende, ou um justo que não necessita de arrependimento?
Não sabemos nós que até "o justo peca sete vezes ao dia" (Prov. 24, 16), ou seja, muitas vezes?


É tempo de procura de água

Assiste-se, nos nossos dias, a uma grande perda de consciência e do sentido do pecado.
Depois, a dificuldade e o orgulho em reconhecer e confessar as próprias fraquezas diante de outra pessoa leva ao afastamento da reconciliação com Deus e com os irmãos, a uma certa "alergia" a pedir desculpa, a pedir, sobretudo, perdão. Vive-se uma crise de frequência dos Sacramentos, neste caso o da Penitência (ou Reconciliação, ou Confissão).
Mas bem sabemos que quem não admite estar doente não procura curar-se.
No entanto, o pecado é um mal que enferma cada um de nós como parte de um povo de pecadores que, em Igreja, somos chamados por Deus à penitência e à conversão.

O pecado é tudo o que constitui uma ruptura da amizade, da fidelidade, do compromisso e dos laços que nos unem a Deus e aos irmãos, e a sua raiz é, directa ou indirectamente, o egoísmo.
É preciso que nos reconheçamos pecadores, pois esse é o primeiro passo para acolher a graça do perdão.

Encontrar oásis no deserto

O perdão consiste em Deus entrar em contacto com o homem pecador para restabelecer a união vital com ele. Supõe, portanto, que também o homem corresponda de modo pessoal a esta atitude divina. Diante deste Senhor que quer dar o Seu perdão, a condição do homem para o receber é a contrição e a humildade interior.

O Sacramento da Penitência é o sinal eficaz da graça do perdão reconciliador, que Jesus faz chegar ao coração de cada um de nós que se reconhece pecador, ao deixar aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados: "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (João 20, 23)

O Sacramento da Penitência não deve ser entendido como "um vazadouro de pecados nem lavar de roupa suja"*, mas fonte de conversão, de cura e de vida nova, pois na sua centralidade não está o pecado, mas sim a Misericórdia de Deus que "não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva..." (Ez 18, 23)

Continuemos a nossa caminhada quaresmal, amanhã com a reflexão da Dulce no Degrau de Silêncio, aceitando que somos pecadores penitentes a percorrer o caminho da conversão.

*(in: O Perdão e a Misericórdia, "A Alegria de Crer", SNEC)

20100306

Vem Senhor, ensina-me a rezar

Vem Senhor, ensina-me a rezar
Vem Senhor, ensina-me a esperar
Quero ter uma razão p’ra viver
Algo em que acreditar
Eu só quero amar em Ti, Senhor

Então saberei qual o caminho a seguir
E encontrarei a razão de existir (bis)

Sei Senhor que um dia Tu verás
Este mundo que Te pede amor e paz
Construir algo que a todos trará
A alegria de sentir
Que esta vida mudará

Vem Senhor - Maria Durão e Luis Roquette


20100303

Oração e Vida

Quaresma - Tempo de Renascer - mais um dia na Caminhada - 15.º

É tempo de:

Deserto... fazer silêncio



Escutar e meditar a Palavra

"Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te.
(...)
Rezai, pois, assim:
«Pai nosso, que estais no Céu,
santificado seja o teu nome,
venha o teu Reino;
faça-se a tua vontade,
como no Céu, assim também na terra.
Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia;
perdoa as nossas ofensas,
como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do mal.»
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas."
(Mt. 6, 5 - 15)



Procurar-se na solidão

- O que rezo eu?... Que palavra me "sai" melhor do coração?... Que palavra me custa mais a sair da boca?... Que costumo pedir na oração?... As minhas orações podem resumir-se ou inserir-se em alguns dos pedidos do Pai-Nosso?...
- Como rezo eu?... Com confiança e serenidade?... Ou nem sequer tenho tempo?... Que me ensina Jesus sobre as atitudes da oração "filial"?... A minha oração tem sido como Deus deseja ou haverá algo que devo modificar?...
(in: Um Povo orante, "A Alegria de Crer", SNEC)


É tempo de procura de água

Oração e Vida Cristã são inseparáveis.
O modelo de oração ensinado por Jesus consta de duas partes: primeiro voltamo-nos para o céu; depois para a terra. Dois pedidos centrais: "venha o teu Reino"; e o pedido do perdão.

“A verdadeira situação da oração não é quando Deus está a ouvir o que lhe pedimos, mas quando o orante persevera na oração até que seja ele a escutar o que Deus quer”. (S. Kierkegaard)

- Se soubéssemos escutar a Deus, se soubéssemos olhar a vida, toda a vida se tornaria oração. Pois toda ela se desdobra sob o olhar de Deus e nada deve ser vivido sem Lhe ser oferecido livremente. As palavras de cada dia servem-nos antes de tudo como traço-de-união com o céu.
- Se soubéssemos olhar a vida com os olhos do próprio Deus, então veríamos que nada no mundo é profano; tudo, ao contrário, participa da construção do Reino de Deus. Assim, pois, ter fé não é somente erguer os olhos a Deus e contemplá-Lo; é, também, olhar a terra, mas com o olhar de Cristo. É preciso pedir a Deus fé para saber olhar a Vida.
- Se o Pai nos colocou no mundo, não foi para que andássemos de olhos no chão, mas O acompanhássemos pelas marcas que deixou em todas as coisas, nos acontecimentos, nas pessoas. Tudo nos deve ser revelação de Deus.
Não há necessidade de longas orações para sorrir a Cristo nos mais pequenos pormenores da vida quotidiana.
(in: Michel Quoist, "Poemas para rezar")


Encontrar oásis no deserto

Um sapateiro recorreu ao rabino Isaac de Ger e disse-lhe: “Não sei como fazer a minha oração da manhã. Os meus clientes são pessoas que só têm um par de sapatos. Se os recolho ao fim da tarde, passo a noite a trabalhar e, ao amanhecer, ainda tenho trabalho para fazer, se quero que todos tenham os sapatos prontos para ir trabalhar. O que devo fazer com a minha oração da manhã?” “O que tens feito até agora?” Perguntou-lhe o rabino. “Umas vezes faço a oração a correr, mas isso faz-me sentir mal. Outras vezes deixo passar a hora da oração e fico com a sensação de ter falhado. Muitas vezes, enquanto trabalho, quase posso escutar como o meu coração suspira e penso: “como sou desgraçado, pois não sou capaz de fazer a minha oração da manhã…!”. Respondeu-lhe o rabino: “Se eu fosse Deus, apreciava mais esse suspiro do teu coração do que a oração”.
(Anthony de Mello , “La oración de la Rana”)

A oração é um anelo de coração, um simples olhar para o Céu, um grito de reconhecimento e de amor, no meio da provação como no meio da alegria”. (Sta Teresa do Menino Jesus)

Jesus previne-nos da hipocrisia: a falta de coerência interior e o que se diz ou faz. Ele diz-nos que a autêntica oração tem de ser entrega total e exclusiva a Deus, o que se consegue melhor em intimidade com Ele, num lugar secreto (o nosso coração), mesmo que seja em público.


Continuemos a nossa caminhada quaresmal, amanhã com a reflexão da Dulce no Degrau de Silêncio, não esquecendo de que na Oração encontramos a mais maravilhosa relação de amor e vida. 
A oração é a respiração da alma.


[A ordem das reflexões desta Caminhada: José António; Utília; Canela; Joaquim; Gisele; Fa menor; Dulce; Teresa; Malu.]


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