quinta-feira, 28 de maio de 2015

Tradições – das orações e expressões orais I


Aproveitando as reuniões diárias, para as rezas do terço do rosário neste mês de Maio, na capelita da aldeia, procurei recuperar, junto das participantes, algumas orações antigas tradicionais transmitidas oralmente de uma geração para outra.

A que se segue foi-me ensinada, em criança, pela minha avó paterna, que me a fazia recitar ao pôr-do-sol. Com o passar dos anos acabei por me esquecer de algumas partes e do seu encadeamento. 
Ei-la agora recuperada:

"Já o sol se vai escondendo, lá por detrás daquela serra;
Com uma capelinha vermelha que lhe deu a Madalena.
Madalena escreveu uma carta a Jesus Cristo;
O portador que a levava era o padre São Francisco.
O padre São Francisco, vestidinho de burel,
Vai beijar as cinco chagas ao divino Emmanuel:
O divino Emmanuel cheio de chagas e feridas.
Vai-se lavar, o divino Emmanuel, nos braços de Margarida.
Margarida não está lá, está para a Senhora da Luz;
Estão os Anjos cantando na capela de Jesus:
Na capela de Jesus, filho da Virgem Maria.
Rezemos um Pai-Nosso e uma Ave-Maria..."


8 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Nunca tinha ouvido nem lido uma oração assim simples e bonita. Recordaram-me muitas orações que a D. Carminda rezava diariamente aqui em casa.
Vou guardar também esta.

O Árabe disse...

Muito legal, Fa! Valeu todo o esforço para recuperá-la, acredito. Boa semana!

GarçaReal disse...

Linda a oração.

Valeu a pena. Adorei ler.

Bom domingo

Bjgrande do Lago

POESIAS SENSUAIS E CONTOS disse...

A melodia aqui tocada toca a alma. Muito lindo o seu blog.

Fá menor disse...

#Sobre Margarida: http://apostoladosagradoscoracoes.angelfire.com/meray.html

«NOSSA SENHORA O colocou nos braços de Margarida, dizendo: “Eis AQUELE que veio lhe ensinar aquilo que deseja de você”. Pressionada por um desejo extremo de acariciar o DIVINO MENINO, “eu O acariciei o tanto que quis”, escreveu ela ingenuamente, “e depois, estando cansada e não capaz de acariciá-LO mais, ELE me disse”: - “Agora você está satisfeita? Guarde esta lembrança para sempre, pois EU quero que você fique em MEU poder. Como viu que lhe permiti que ME acariciasse espero sua concordância para que EU lhe acaricie ou que lhe atormente do mesmo modo. Você não deverá ter outros movimentos além daqueles que EU lhe darei”.»

Eduardo Aleixo disse...

Gostei do teu gesto de recuperação e acho a oração muito singela e bonita.
Bjinho.

Vanuza Pantaleão disse...

Faz-me lembrar minha avó com suas rezas, ela era católica da antiga e fazia parte de uma congregação de São Francisco de Assis. Nossa! Isso tem mais de cem anos. Você sabia, Fa, que muitas dessas tradições orais de Portugal vieram parar em terras do nordeste brasileiro? Pois é, amiga, estamos tão próximas e não sabíamos. Laços culturais e religiosos ligando nossos países.
Beijos, amiga querida!

Petrus Monte Real disse...

Gosto muito desta oração
legada pelos avós.
As ideias e até uma grande parte dos nomes
são tradicionais na minha terra natal,
aldeia beirã que já perdeu muitos usos e costumes,
inclusive os religiosos.

Ao som do belo "Comptine d'un autre été"
recordo os velhos tempos,
lendo a oração:
apazigua a alma.

Um grande abraço de amizade.

Bom Domingo